sábado, 5 de janeiro de 2013

do lado das sombras



Sigfrid Burvenich



acendo palavras de baixo consumo
folha a folha
enquanto as vozes periféricas
se misturam com o fumo
reconstruindo um ambiente
muito amarelecido pelo tempo.
esforço-me por rever os contornos
das pessoas mas não passam de sombras
chamo os nomes das cidades amantes
e desequilibro-me diante do abismo
declino os pronomes pessoais e
encontro-os defectivos
defeituosos
desdentados
desmembrados
a paleta dos verbos dilui-se em verniz
por isso os meus dedos ficam gretados
e já não tocam o piano que nunca sonharam.
suspeito que seja inútil
subir escadas
ou penhascos
porque os meus olhos estão
turvados de memórias exangues

se houver um verão ainda
talvez
um feixe
de luz

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