segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
25 de fevereiro 2003/2013
- Filha, quando tudo estiver muito negro, quando o peso nas costas parecer insuportável, quando não conseguires respirar este mundo poluído, sobe a uma montanha.
- Porquê, Pai?
- Verás que o ar é mais leve, as pessoas ficam pequeninas, insignificantes, e os problemas também. Respira fundo, enche os pulmões de Natureza.
…
Muitas dezenas de anos depois:
- Obrigada, Pai. Não leste T. S. Eliot, mas ajudaste-me a gostar dele.
Dá-me a mão e vem comigo até ao Marão de Pascoaes. Vamos comer uma feijoada e beber um maduro tinto. Conta-me a tua história de amor. Ensina o segredo para as tuas últimas palavras:
- Como está a Mãe? Trata dela. – disseste há dez anos atrás. Fechaste os olhos, cansado. A mão entrelaçada na minha. Assim permanecemos juntos, de mãos dadas, até ao fim.
Agora vou até à montanha.
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