la lune (wild is the wind) (40x50) paris, 2012
(collage: Emanuele Balzani;
photo: Tony Querrec)
também eu prefiro as rosas à pátria. habituei-me à chuva de cristal que
fende a pele lâmina de gelo assobios naufragados nas vielas sem nome. nocturnos
gemidos erguem-se até à lua mil vezes revisitada por bardos ultra-românticos e
eu escapo do vento entre riachos de luz com soluços de contrabaixo. pode trovejar
em cima do palco, podem sufocar os actores, pode nada valer a pena de perdigão
que eu agarro as rosas pelos espinhos e espalho-as pelo corpo ensanguentado até
que a alvorada chegue e se instale estáctica sobre os olhos já cegos.

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